sábado, 27 de agosto de 2011
Sabe, às vezes tem que deixar os cabelos soltos, mesmo, tem que sorrir um pouco, dormir até uma da tarde, ver o pôr do sol, sair de casa sem saber que horas vai voltar, deixar as músicas tocando no modo aleatório, se olhar no espelho e gostar do próprio reflexo, se agarrar às cobertas antes de dormir como se elas fossem te proteger do mostro imaginário, vestir uma camisa amarrotada, dormir com a televisão ligada, esquecer o guarda-chuva na casa de alguém, tropeçar numa calçada plana e se matar de rir por isso, atender o celular quando já tiver parado de tocar, tirar uma foto espontânea e amá-la, deixar o vento bagunçar os cabelos, pegar chuva de verão com os olhos fechados, quase cair no ônibus e ferver de vergonha… Às vezes tem que ser você, mesmo, porque é só aí que você vive de verdade. Escute o que digo, estou certa. Uma vez me contaram a história de uma menina metódica que não se permitia errar nem conseguia relaxar nos finais de semana. Ela teve uma vida com cento e dois anos mal-vividos, desgastantes, sem conclusão, sem finalidade. E, no fim, a pobre coitada não havia sido nada além do protótipo infeliz de perfeição que havia planejado para si mesma. Então, seja você, cometa seus erros se tiver que cometê-los, aprenda, sonhe, magoe, perdoe, descanse, lute, ensine, grite, faça, viva! Ou cale-se para sempre.
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